Maré

Todos acreditavam no quão bom era ser amada. Ser a Julieta de alguém tão especial. Esqueceram de mencionar a distância que encurralava os dois corações. Aquela distância podia não ser física, apenas um detalhe perante todo aquele problema. Difícil dizer que não era  bom ser tão amada, que seria mais fácil ser apenas uma paixão, dessas que duram um verão. Mas até mesmo o verão tocava o lugar mais fundo daquele órgão que batia cada vez mais rápido conforme necessário. Não era tão simples, era difícil de entender que ser amado podia ser um problema. 

‘Você tem tudo’. Não tenho nada. Apenas um ser cansado de remar contra a maré. Desiludido, finalmente se rende e segue o percurso do rio. Segura com força, porque essa vai ser forte. Aguentei com força, mesmo tão machucada por cada gota que encostava no rosto. 

Risadas. Afinal não vamos falar de coisas ruins. Calada, aqui escrevo a agonia que levo no fundo, bem no fundo, pra ninguém encontrar. Assim como o meu corpo que é engolido pela maré. Adeus mais uma vez.

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