Medo x Coragem

Medo e coragem.

Meu maior defeito e minha maior qualidade.

Ter medo dos fatos da vida é comigo mesmo: medo da morte, doença, esquecimento, maldade.

Sempre estou preparada para o pior, nunca para o melhor. Procurar imprevistos é comigo mesmo, pensar pelo lado negativo então, nem se fala. Viver no mais difícil é o meu destino. Afinal a vida é tão complicada… Cheia das suas problemáticas.

Ao mesmo tempo em que sou receosa, tenho a maior coragem pra encarar tudo que vier de ruim, sempre em mente o pensamento errôneo de que “não é nada demais”. Vou me segurando, permito aquilo se tornar apenas um probleminha não resolvido. O problema é que acumulo problemas e quando vejo, não sei de onde foi a origem de toda essa bola de neve. Ah, lembrei! Aquele probleminha esquecido… Ele era só a ponta do iceberg.

Eu encarar que tudo é apenas parte da vida, é o que chamo de coragem.

Aceito passar por mortes, hospitais, esquecimento e até maldade. “Não é nada demais”. A vulnerabilidade que temos é tão grande que não a medimos, ficamos entre a linha tênue entre desmoronar e ser forte. E eu sempre me direciono pro lado forte. Até que tudo vem abaixo e desmorono.

Desmorono por todas perdas, todas cirurgias já passadas (foram 3!), amizades que jurei serem pra sempre e a maldade das pessoas de julgar o que nem nós mesmos somos capazes de entender. Tudo culpa minha por não ter dado ouvidos para os pequenos problemas, que na verdade, eram grandes demais pra eu poder medir. Era mais fácil fingir a falta de importância do que encará-los frente a frente.

Meu defeito: medo. Minha qualidade: coragem.

Tenho medo de que tudo dê errado, mas tenho – agora – a coragem de admitir que sinto tudo, assim como todos nós. Coragem para deixar o medo pra trás, e deixar o medo agir sobre a minha coragem.

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Maré

Todos acreditavam no quão bom era ser amada. Ser a Julieta de alguém tão especial. Esqueceram de mencionar a distância que encurralava os dois corações. Aquela distância podia não ser física, apenas um detalhe perante todo aquele problema. Difícil dizer que não era  bom ser tão amada, que seria mais fácil ser apenas uma paixão, dessas que duram um verão. Mas até mesmo o verão tocava o lugar mais fundo daquele órgão que batia cada vez mais rápido conforme necessário. Não era tão simples, era difícil de entender que ser amado podia ser um problema. 

‘Você tem tudo’. Não tenho nada. Apenas um ser cansado de remar contra a maré. Desiludido, finalmente se rende e segue o percurso do rio. Segura com força, porque essa vai ser forte. Aguentei com força, mesmo tão machucada por cada gota que encostava no rosto. 

Risadas. Afinal não vamos falar de coisas ruins. Calada, aqui escrevo a agonia que levo no fundo, bem no fundo, pra ninguém encontrar. Assim como o meu corpo que é engolido pela maré. Adeus mais uma vez.