Onde está?

Me diga onde você está agora. Por que tu bagunçou tanto a minha vida? Desde quando eu preciso de alguém pra me agarrar entre os braços pra não sentir medo? Contigo eu fui mais feliz, mas você foi embora e levou consigo tudo o que me restava. A calmaria não existe mais e mesmo que sinta que meu coração é o mesmo que um copo d’água, mesmo que eu sinta que nada disso faça mais sentido algum, é você que espero.

Fico interrogando-me por que as coisas se tornaram tão banais… Elas eram tão fabulosas. Aquela magia, aquela espera pelo teu calor em mim. Hoje isso se transformou em apenas saudade. E dor. Dor de não te ter aqui.

Antes de ti, eu era uma menininha sem sentimentos, que se escondia entre os cobertores nos dias de frio, e assim me sentia completamente segura. Eu tinha a minha gaveta arrumada, minhas coisas no lugar. Mas aí tu apareceu, e esculhambou tudo. Desde a gaveta em que tuas cartas se encontram, até os meus materias de estudo onde rabisco o teu nome… Sem parar. Tento escondê-la num esconderijo de mim mesma. E acabo não encontrando mais. Acabo encontrando quando já não a quero mais. E aí tudo volta a tona.

Onde foi parar a minha segurança, onde foi parar a minha linha reta onde caminhava pé por pé, agora minha estrada só mostra curvas. Curvas que me levam e me trazem para o mesmo lugar.

Só queria dizer que sinto a sua falta, a cada respiração, a cada vez que o meu coração bate achando que é você que está batendo na porta.

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Valor incontestável

Engraçado como aquela frase clichê “só damos valor quando perdemos” se torna real nos dias de hoje.

Só damos valor aos dias de chuva, quando estamos na seca ou num calor infernal que os nossos miolos não conseguem pensar em nada.

Só damos valor ao calor, quando chove demais e ocorrem enchentes e mortes.

Só damos valor aos nossos pais, quando eles se vão. Anos após paramos e pensamos “é, ele tinha razão”.

Só damos valor a um simples “eu te amo” quando a pessoa que mais amamos vai embora, dizendo que estava indo embora por não ter ninguém.

Só damos valor ao nosso namorado, quando ele está com outra pessoa, rindo e sendo feliz, enquanto nós estamos em lágrimas.

Só damos valor aos nossos livros, quando temos que parar pra ler aquele chatos do vestibular.

Só damos valor a aqueles cinco minutos a menos de estudo, quando lemos uma prova, e por uma questão, deixamos de ser aprovados.

Só damos valor as nossas roupas, quando elas já não servem mais.

Só damos valor a nossa comida, quando segunda-feira temos que comer o requentado do fim de semana.

Só damos valor a nossa liberdade, quando estamos em um hospital, sem poder sair de lá.

Só damos valor aos nossos amigos, quando um deles encontra um amigo novo, um melhor que você.

Só damos valor a festinha do nosso cachorro, quando ele está doente e sua doença é irreversível.

Só damos valor a uma hora de sono, quando temos que acordar de manhã cedo e nossos olhos não abrem.

Só damos valor a arrumação do nosso quarto, quando ele está tão bagunçado que não encontramos mais nada nele.

Só damos valor a nossa voz, quando ela se torna escassa por causa da dor de garganta.

Só damos valor a nossa felicidade, quando ela se vai.

Pare de dizer que você é infeliz, porque você não sabe o que é infelicidade. Pare de achar que o mundo gira em torno de si e que só você tem problemas, porque todos temos PROBLEMINHAS. Problemas grandes são aquelas pessoas que estão na chuva, no frio, sem um cobertor, uma comida ou algo para lhe fazer feliz.

Pare de ser um completo idiota e achar que sua vida é uma droga. Pare de não valorizar tudo o que você tem. Um dia isso vai embora e aí  é tarde demais.

Incontestável dúvida

Quando acordei pela manhã, escorreguei minhas mãos pelos lados da cama e constei que você não se encontrava nela. Encostei meu nariz entre os travesseiros, e você não estava lá. Tão pouco pude sentir os lados da cama quentes. Você havia ido embora.

Havia vindo aqui, checou se as coisas estavam iguais e seguiu seu caminho. Deixando a pequena iluminação incomodar meus olhos, pra não conseguir te alcançar. Eu levanto da cama, sinto o frio, mas não me importo. Nada mais me importa.

Queria te chamar pra te contar que tu foi o único com quem me abri completamente, o único que teve acesso ao último andar da minha construção. Inutilmente tento mostrar em pequenos gestos que se parecem inúteis perto de tanta dúvida. Vindas de ti.

Te procurei no meio de tanta gente, querendo você mais do que nunca, querendo contar aquelas coisas que você já sabia. Você não estava de novo. Sentei naquela mesa em que costumava pensar em ti, abri meu livro e esperei. Surpresa. Você não veio.

Quando acordei, vi que já era tarde. O mundo me esperava lá fora, e tudo era um sonho. Na real, você nunca pôde estar do meu lado.

Na real, nunca pude te tocar realmente.

Na real, isso não passou de uma ilusão.

Na real, eu ainda te espero… Como sempre.