Beatles e matemática

Hoje acordei com essa vontade de mudar. Algo no visual, algum jeito de viver. Hoje acordei com vontade de escutar James Blunt e aquelas músicas que fazem nos sentirmos especiais. Todos pensam que é fácil sermos nós mesmos. Mas somente nós sabemos o quanto é difícil.

Estamos nessa dúvida estúpida: desde escolher a cor do esmalte ou da blusa de hoje até escolhermos nossa escolha profissional ou o cd que comprar. Por que ora Beatles e Anberlin tem que estar em promoção justo hoje?

Escolhas.

Não é uma simples questão de qual cd comprar (porque eu, honestamente, compraria o dos Beatles) mas sim de certas escolhas para a nossa vida. Perdoar aquela amiga que deu em cima do seu namorado, perdoar aquela decepção familiar ou até esquecer porque você foi a última a ficar sabendo da novidade da semana.

Fico me perguntando se isso é realmente necessário. Se sabemos fazer nossas decisões, se sabemos mesmo o que queremos. Porque no final, quando nos deparamos com algo errado, sempre vem aquela perguntinha chata na nossa cabeça “e se eu…”. Não adianta nos lamentarmos pelo que já foi escolhido. É lamentável não termos o botãozinho do certo e errado, felicidade e infelicidade ou sim e não. Temos que seguir nosso coração, sem arrependimentos. Por que a razão escolhe algo, enquanto o coração diz outra coisa? Por que?

Incógnita. Mesma coisa que aquele x chato na equação biquadrada que você resolve. Ou ao menos tenta. A vida não passa de uma equação, onde devemos balançar nossas decisões mais importantes do momento, e aquelas que talvez possamos deixar pra trás. Não é fácil, mas quem diria que seria?

Sem arrependimentos! Tenha sempre na cabeça que naquele momento, era aquilo que você queria, naquele momento aquilo te fez feliz. E se deu errado, você teve experiência e amadurecimento, não é mesmo?

Nunca vou esquecer quando minha amiga Curitibana me disse: “hoje isso pode ser o fim do mundo, mas quem sabe daqui a alguns anos você perceba que aquilo nem era tudo assim.” E não é assim que funciona?

E sem essa, eu sei que você também odeia matemática e curte escutar Beatles. Toca aqui se você faz parte do grupo das pessoas que não fazem escolhas óbvias e é parte do grupo que ri quando vê que fez a escolha errada. Obrigada aí, grupo dos vencedores.

Correria

Todos andam com pressa. Até eu me encontro assim ultimamente. Vivo me perguntando se fiz a coisa certa, se aceitei o convite certo, se me entreguei da forma devida… É uma confusão.

Desde que apareceu na vida esse novo sentimento, sinto como se eu pudesse jogar tudo para o alto e apenas correr. Porque a brisa não iria mudar de rumo. Ela seguiria seu próprio trajeto. Como todo o resto.

Sinto-me num ioiô de sentimentos, ora felizes, ora desesperados. Desesperados por ti. Parece que ando na linha do trem, e que ele pode aparecer a qualquer segundo pra me atropelar e fazer eu acordar para realidade. Isso é duro. Duríssimo posso até me atrever a dizer.

Dura essa sensação de novidade, de não saber o que vem depois… O que vem depois da curvinha da vida. Quem saber venha algo bom, ou algo nem tão bom assim. Mas pela primeira vez, não sinto medo, nem angústia. Muito menos solidão.

Desde que tu apareceu na minha vida, é como se a minha água tivesse o teu nome e o meu ar o teu sobrenome. É como se tudo fosse uma novidade diária. E isso me faz feliz. Poder ARRISCAR.

Sensação gostosinha que eu não quero que vá embora. Na real, quero que ela fique aqui por muito tempo. Sem pressa de dizer adeus.

Sinceridade não assumida

Atravessou como um meteoro entre a constelação. Apareceu dentro do meu peito como uma flecha. Instalou-se aconchegadamente sem pedir lugar, e ali ficou. Permaneci me pergutando quando percebi teus sinais e onde reconheci tua mudança em mim. Silenciei. Assustei-me com a sinceridade de minhas infinitas palavras.

Pressionei meus dedos com urgencia ao ver teu nome, comportei-me como uma criança que reconhece seu primeiro amor. Estupidamente, corri até teus braços como um pássaro procurando seu ninho. Parei e deixei fluir. Como uma adolescente querendo ver os próximos acontecimentos.

Sorri com a tua demonstração afetuosa e tua importância em tão pouco tempo. Me diverti ao rir tão abertamente e sorrir como boba olhando para o nada.

Me senti apaixonada. Feliz outra vez.

Proteção

Eu construi a minha própria cerca elétrica. Deixei ela ligada por tempo indeterminado. Procurei por qualquer galho que pudesse abaixá-la. Não encontrei. Tornei a me machucar quando saí de fora dela, tornei a me eletrocutar pelo meu próprio jeito. Voltei para o meio, sentei e esperei.

A dor da saudade

Algum dia terás que adentrar a porta e tirar a capa de chuva, suas botas estarão encharcadas e as suas meias farão seus pés tremerem. Você permanecerá com apenas duas peças de roupa, se deitará entre os lençois macios e sentirá saudade. Tu se ajeitaras entre tua própria bagunça e se perguntará desde quando a chuva a atrapalhou tanto. Dias depois tu perceberás que não era a chuva quem te machucava, mas o fato de não ter ninguém para protegê-la quando chegar em casa.

Cartas

Sorrio de leve ao sentir a brisa no meu rosto. Caneta e papel não são suficientes certos dias. Queria correr. Queria fugir. Queria ir pra bem longe daqui. Queria que o infinito fosse aqui do lado. Queria que somente alguns passos fossem necessários até ti. Ficaria feliz de perder horas do meu dia e observar os teus traços desajeitados. Queria sentir o cheiro de café por toda a casa, queria observar meus rabiscos por todo o chão. Queria amar direito. Mas a chuva batendo na janela não me deixa pensar. E mesmo que o nublado me acalme, nuvens pretas me assombram sem o teu abraço. Quero voltar, quero agir, quero mudar.